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Luto por Suicídio: Quando a Dor Vem com Perguntas Sem Resposta

  • Foto do escritor: Fernanda Souza
    Fernanda Souza
  • 24 de jun.
  • 2 min de leitura

Perder alguém que amamos é sempre doloroso. Mas quando essa perda acontece por suicídio, a dor costuma vir acompanhada de uma avalanche de sentimentos difíceis de nomear — confusão, culpa, raiva, impotência. É como se, além da ausência, ficasse uma série de perguntas sem resposta: "Será que eu poderia ter feito algo?", "Por que não

percebi antes?", "Onde foi que eu errei?"

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Essas perguntas são humanas. São o reflexo da nossa conexão com quem partiu. Mas é importante lembrar: o suicídio é uma tragédia multifatorial, muitas vezes resultado de uma dor psíquica profunda, invisível, silenciosa. Ninguém tem controle total sobre a mente e as decisões do outro. Não há culpa individual em algo tão complexo.



A Relação com Quem se Foi


Depois da perda, a gente revisita a história: conversa, gestos, mensagens, silêncios. Às vezes isso ajuda a manter a pessoa viva dentro de nós. Outras vezes, reabre feridas. É normal. É parte do luto. Permita-se sentir o que vier — tristeza, saudade, raiva, alívio, confusão. Nenhum sentimento é proibido.


Você pode continuar amando essa pessoa. Pode até manter conversas internas com ela. Isso não é "não superar" — é elaborar, é honrar a relação, é dar novos significados à presença dela na sua vida.


O Peso da Culpa


A culpa costuma ser uma das companheiras mais pesadas desse tipo de luto. E uma das mais injustas. Você fez o que pôde com o que sabia e tinha naquele momento. Tente lembrar disso sempre que a autocrítica bater.


Se fosse possível prever e evitar com certeza, você teria feito. Mas a verdade é que o sofrimento psíquico muitas vezes se disfarça bem demais. E até quem está perto pode não perceber.


Caminhos para Seguir em Frente


Seguir em frente não é esquecer. É aprender a viver com a ausência, com a saudade, com o que ficou. Aqui vão algumas sugestões que podem ajudar nesse processo:


  • Escreva. Colocar no papel (ou na tela) o que está sentindo pode ser libertador. Não precisa ser bonito ou coerente. Só precisa ser sincero. A escrita é um lugar seguro para soltar o que pesa.

  • Fique perto de pessoas. Mesmo quando você sentir que não tem energia ou que não é boa companhia. Estar com quem se importa pode aliviar, mesmo em silêncio. A presença dos outros ajuda a lembrar que ainda existe vida em volta.

  • Foque no simples. Comer, dormir, respirar. Um passo por vez. Um dia por vez. Não tente resolver tudo de uma vez só. Às vezes, levantar da cama já é uma vitória imensa.

  • Procure ajuda se precisar. Terapia, grupos de apoio, conversas sinceras. Você não precisa carregar tudo sozinho(a).


Você Não Está Só


Você não está só. Muitos passam por essa dor, ainda que silenciosamente. Falar sobre ela é um ato de coragem — e também de cuidado com quem ainda está aqui. E se você leu até aqui, talvez precise ouvir isso: você não tem culpa. E você pode continuar vivendo, mesmo com essa saudade, encontrando novos significados, com o tempo e com apoio.


 
 
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