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Terapia de casal ou terapia individual: qual escolher?

Foto do escritor: Fernanda Souza
Fernanda Souza
25 de set
6 min de leitura

Dois manequins sem rosto se encaram, com arame farpado envolvendo cabeças e pescoços, em fundo cinza frio.

Você já abriu a busca algumas vezes pra procurar terapia e fechou antes de marcar. A dúvida não é se precisa de ajuda, mas sim que tipo de ajuda vai funcionar mesmo. Talvez o problema seja você, que anda sem paciência e com o pavio curto. Talvez seja a relação, que repete a mesma briga há meses com assuntos diferentes. Talvez seja o jeito como vocês dois se encontram, ou deixam de se encontrar, no fim do dia. E ainda tem a conversa que você imagina e vai adiando, a de propor terapia de casal e ouvir de volta que quem precisa de terapia é você.



Se vocês já sentem que o que dói está entre os dois, dá pra começar por uma primeira conversa, pode falar comigo pelo WhatsApp.


Qual a diferença entre terapia de casal e terapia individual?


A terapia individual cuida de uma pessoa e a terapia de casal cuida da relação entre duas. Na individual, o trabalho olha pra sua história, seus sintomas, seus lutos e a forma como você lida com a vida nas mais diferentes áreas (relacionamentos, trabalho, consigo mesmo, etc).


A relação aparece, mas o foco é trabalhar o seu mundo interno, a sua forma de assimular, sentir e responder ao que acontece.

Na terapia de casal, quem está sendo cuidado não é um nem outro isoladamente, é o que acontece entre os dois: o jeito como um reage ao outro, o movimento que se repete, o momento exato em que a conversa desanda. Na Terapia Focada na Emoção (EFT), abordagem desenvolvida por Sue Johnson a partir da teoria do apego de John Bowlby, esse movimento tem nome. É o ciclo, a dança em que um se aproxima cobrando e o outro se afasta pra se proteger ou em que os dois se retraem ao mesmo tempo pra não piorar as coisas. O ciclo é tratado como o problema a ser enfrentado, nunca uma das pessoas.


Por isso uma não é melhor que a outra. As duas servem a coisas diferentes e a escolha depende de onde dói e por onde é possível começar.


Posso fazer terapia sozinho pra melhorar meu relacionamento?


Pode e muitas vezes é um bom começo. A terapia individual ajuda você a entender a sua parte na dinâmica: o que te ativa, de onde vem essa reação e que medo existe por baixo da cobrança ou do silêncio. Todo mundo tem um bom motivo pra agir do jeito que age (mesmo quando gostaria de reagir diferente), enxergar esse motivo já muda alguma coisa. Quando uma pessoa deixa de reagir no automático, a dança perde um dos passos e o parceiro costuma sentir a diferença mesmo sem saber explicar o que mudou.



Duas mulheres de costas, lado a lado ao ar livre, com cabelos ao vento e expressão serena.

Existe também um caminho intermediário pra quando o parceiro não quer ir à terapia de casal, que é o trabalho individual focado na relação. Não se trata de uma terapia individual ampla, que olha pra todas as áreas da vida, mas sim de um espaço pra entender especificamente o seu lugar no ciclo e como você pode se aproximar de outro jeito.


Escrevi sobre esse caminho em quando um quer terapia de casal e o outro não.


Terapia individual substitui a terapia de casal?


Não, não substitui. A terapia individual pode melhorar muito a forma como uma pessoa se relaciona, mas não dá conta do padrão do casal, porque esse padrão é construído pelos dois ao mesmo tempo. Esse é o mal-entendido mais comum, a ideia de que se um dos dois resolver as próprias questões, a relação se ajeita sozinha.


Isso acontece, porque certas coisas só aparecem com os dois na sala: o tom que dispara a briga, a pausa que um lê como desprezo e o outro nem percebe que fez, o pedido que chega como crítica.

Fazer terapia individual é cuidar de si. Fazer terapia de casal é cuidar do que existe entre vocês.

Além disso, a terapia individual tem um limite importante que é: quem faz terapia sozinho às vezes muda e o outro não necessariamente sabe lidar com essa mudança. Por exemplo, uma pessoa que antes cobrava, insistia, subia o tom, pode começar a se entender melhor e se comunicar de outra forma, mas o parceiro pode ler essa nova forma ainda como uma crítica ou uma forma de se mostrar superior, o que não aproxima um do outro. A mudança de um, s

em espaço pra ser entendida pelos dois, pode abrir uma distância nova.


A terapia de casal vai decidir se a gente se separa?


Silhueta de um homem parado à beira da estrada, olhando montanhas ao fundo, em preto e branco.

Não vai. Quem decide o futuro da relação é o casal, nunca o terapeuta. O medo é comum e costuma vir de duas ideias, a de que terapia de casal é o último recurso antes do divórcio e a de que o terapeuta vai avaliar quem tem razão e dar um veredito. Terapia de casal não é tribunal, o terapeuta não está ali pra escolher um lado.


Na EFT, o objetivo é ajudar os dois a sair do ciclo e recuperar a sensação de segurança um com o outro e a maior parte dos casais que procura esse trabalho quer exatamente isso, continuar juntos de um jeito menos doloroso. Às vezes, ao longo do processo, um dos dois percebe que não quer continuar. Quando isso acontece, a terapia não empurra pra nenhum lado. Ela ajuda os dois a atravessar essa conversa com clareza e com o menor dano possível, mas não cria o desejo de sair, só dá espaço pra que ele possa ser dito em vez de ficar agindo em silêncio. Explico com mais detalhe como a EFT funciona em terapia de casal funciona?.



Dá pra fazer terapia de casal e individual ao mesmo tempo?


Dá e em muitos casos é a melhor combinação. Quando um dos parceiros atravessa algo que pede cuidado próprio, como luto, depressão, ansiedade intensa ou um momento de vida muito pesado, a terapia individual sustenta essa pessoa enquanto a terapia de casal cuida da relação. Uma não disputa espaço com a outra.


Nesse caso é preciso que sejam profissionais diferentes pra cada frente, porque o terapeuta de casal precisa manter a mesma proximidade com os dois e isso fica inviável quando já acompanha um deles sozinho há algum tempo. Com o consentimento de todos, os profissionais podem conversar entre si pra que as duas frentes caminhem na mesma direção.


Quando a terapia de casal não é o caminho indicado?


Coração de papel rosa partido ao meio pendurado num barbante sobre fundo preto, com clima triste e melancólico.

Quando existe violência, intimidação ou controle sistemático na relação, a terapia de casal não é o caminho indicado. Ela pressupõe que os dois possam falar com segurança durante a sessão e depois dela. Isso não acontece quando uma das pessoas tem medo da reação da outra.


Vale separar duas situações que às vezes se parecem por fora. Há casais com brigas duras, em que os dois se machucam tentando ser ouvidos, com palavras que passam do ponto e reações das quais se arrependem depois. Ali o conflito nasce do desespero de não conseguir alcançar o outro e é exatamente isso que a terapia de casal trabalha. Dominação é outra coisa: um padrão organizado em que uma pessoa controla, vigia, restringe dinheiro, contatos ou decisões, e a outra vive se ajustando pra evitar a reação. Nesse caso o cuidado começa pela segurança de quem está sendo controlado, com terapia individual e apoio especializado.


Se você reconhece a sua relação nessa segunda descrição, procure esse apoio. No Brasil, o Ligue 180 atende mulheres em situação de violência, e os CREAS, centros de assistência social dos municípios, atendem pessoas de qualquer gênero. Em situação de risco imediato, ligue 190. Fora do Brasil, os serviços locais de apoio a violência doméstica são o primeiro caminho.



Como escolher por onde começar?


Olhe pra onde dói. Se o sofrimento aparece em várias áreas da sua vida e a relação é só um dos lugares onde ele se mostra, a terapia individual tende a ser o começo mais útil. Se o que dói está sobretudo entre vocês, na briga que se repete, na distância que foi se instalando ou na sensação de estar junto e sozinho ao mesmo tempo, a terapia de casal vai direto ao ponto. E se o que dói está entre vocês, mas o parceiro ainda não quer ir, o trabalho individual focado na relação é a porta possível por agora.


Algumas perguntas ajudam a clarear:

  • Esse mal-estar existiria se eu estivesse fora dessa relação?

  • A briga é sempre a mesma, só muda o assunto?

  • Quando imagino a situação melhor, ela depende só de mim ou de uma mudança no jeito como a gente se trata?


Quanto mais as respostas apontam pro espaço entre vocês, mais a terapia de casal faz sentido.


A escolha também não precisa ser definitiva. Muita gente começa por uma e percebe no caminho que precisa da outra ou das duas. A primeira conversa com um terapeuta serve justamente pra isso, entender o que está acontecendo antes de decidir o formato.


Se o que dói está entre vocês, a terapia de casal com a Terapia Focada na Emoção é um bom lugar pra começar. Atendo casais online, no Brasil e no exterior, em português e inglês.



Psicóloga Fernanda Souza

Fernanda Souza é psicóloga de casais, mestre em ciências, e atende online casais no Brasil e no exterior, em português e inglês. Trabalha com a Terapia Focada na Emoção (EFT), abordagem desenvolvida por Sue Johnson com base na teoria do apego de John Bowlby, e é membro do ICEEFT, a sociedade internacional de Terapia Focada na Emoção. Tem como diferencial a psicologia financeira aplicada a casais, ajudando parcerias a saírem do automático na conexão e no dinheiro.


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